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Wednesday, 27 October 2010

Vale tem lucro trimestral recorde de R$ 10,6 bi, alta de 253% sobre 2009


CIRILO JUNIOR, DO RIO
DE SÃO PAULO

Folha Online

27 de outubro de 2010


A mineradora Vale informou nesta quarta-feira que registrou um lucro líquido recorde de R$ 10,554 bilhões no terceiro trimestre de 2010, equivalente a R$ 1,97 por ação diluído, 59,1% acima dos R$ 6,6 bilhões no segundo trimestre.

O resultado é 253,4% superior ao registrado em igual período de 2009, quando ficou em R$ 2,987 bilhões. A cifra também supera as expectativas do mercado financeiro: analistas esperavam um lucro em torno dos R$ 10,35 bilhões.

"Este desempenho resultou da forte demanda por minerais e metais e dos nossos esforços para aumentar a produção, mantendo os custos
operacionais sob controle", informou a empresa em relatório ao mercado.

Segundo a empresa, o resultado líquido trimestral foi o mais elevado na história da Vale, 33,5% maior que o último recorde, no segundo trimestre de 2008, de R$ 7,906 bilhões. A mineradora registrou outros recordes no trimestres, como na receita operacional, margens e geração de caixa,

No acumulado de janeiro a setembro, a Vale obteve lucro líquido de R$ 20,068 bilhões, 208,4% acima dos R$ R$ 7,6 bilhões verificados em igual período em 2009, quando os efeitos da crise abaçaram a mineradora.

"EXCEPCIONAL"

A Vale classificou o resultado como "excepcional" em seu relatório de desempenho. A mineradora afirma que há motivos sólidos para se esperar maior ritmo do crescimento global na primeira metade do ano que vem.

A desvalorização do dólar frente ao real, segundo a companhia, produz efeitos positivos e negativos no desempenho.

"Por um lado, contribuem para elevar nossos custos operacionais e de investimento, majoritariamente denominadas em outras moedas. Por outro lado, o dólar norte-americano mais fraco e as baixas taxas de juros contribuem para a redução de nosso custo de capital", informa o relatório.

A companhia registrou ainda geração de caixa recorde, de R$ 15,8 bilhões no terceiro trimestre. O valor é 532,6% superior ao que fora obtido de julho a setembro do ano passado.

Excluídas aquisições, a Vale investiu US$ 3,081 bilhões no terceiro trimestre. Nos nove primeiros meses do ano, acumulam US$ 7,6 bilhões, 27,7% acima do que o constatado em igual período em 2009.

PRODUÇÃO

A Vale já havia reportado que sua produção de minério de ferro atingiu a marca de 82,614 milhões de toneladas no terceiro trimestre, o que representa um acréscimo de 23,7% na comparação com idêntico período no ano passado. Em relação ao segundo trimestre, o aumento foi de 8,9%. Trata-se do melhor desempenho da companhia desde o recorde registrado no terceiro trimestre de 2008.

Ainda conforme a empresa mineradora, a produção em Carajás foi histórica: 27 milhões de toneladas no terceiro trimestre, uma expansão de 17,7% sobre o mesmo período no ano passado.

No acumulado de nove meses, a produção total foi de 227,53 milhões de toneladas, em um incremento de 30,4% sobre o montante contabilizado no período de janeiro a setembro de 2009.

COMANDO

Ontem a mineradora informou que uma possível troca no comando da empresa "jamais foi tratada" pelos acionistas controladores.

"As especulações na imprensa, que atribuem a 'fontes do Conselho de Administração' informações neste sentido, não retratam a posição dos acionistas controladores da empresa", informou a mineradora em comunicado.

Fontes da empresa consultadas pela Reuters já haviam descartado a substituição do presidente da Vale, Roger Agnelli. As especulações sobre uma possível saída de Agnelli do comando da maior produtora mundial de minério de ferro ganharam força após o próprio executivo declarar na Zâmbia, onde foi inaugurar um projeto de cobre em meados de outubro, que membros do partido do governo estariam de olho em cargos na empresa.

Agnelli está no comando da Vale desde 2001 e enfrentou conflitos com o governo durante a crise econômica entre 2008 e 2009, por causa de demissões efetuadas pela companhia. O governo cobra da empresa investimentos em siderúrgicas para agregar valor ao minério de ferro.

A Vale é controlada pela Valepar, empresa composta pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que detém 49% do controle; Bradespar, com 21,21%; Mitsui, com 18,24%, e BNDESPar, com 11,51%. O fundo de pensão Eletron tem 0,03% das ações.

Sunday, 17 October 2010

Vale prepara maior expansão da história em Carajás

Fonte: Portal Stylo

http://www.jornalstylo.com.br/images/noticia/20100726115049_8rybn4gfjrz6mdt9a0rffxanc.jpg?KeepThis=true

Com produção de 240 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano, a Vale é a maior do mundo no setor. Nos próximos anos, a empresa deve se isolar ainda mais na liderança. A empresa está em fase de licenciamento de uma nova mina de ferro.

Batizada de S11D, ela é a considerada a maior da história da Vale. Quando estiver em operação, em 2013, vai despejar 90 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano no mercado, mais de um terço da produção de minério de ferro da Vale no ano passado e a mesma capacidade da maior mina a céu aberto do mundo, instalada na Serra dos Carajás, no Pará.

Para tirar o negócio do papel, a mineradora vai gastar US$ 11,3 bilhões (R$ 19,9 bilhões), o dobro de seu lucro em 2009. O alto investimento tem explicação: relatório divulgado na semana passada mostra que, nos próximos cinco anos, o consumo mundial de minério de ferro deve atingir 1,7 bilhão de toneladas ao ano, aumento de 70% em relação a 2010.

Produzido pela Global Industry Analysts (GIA), o estudo mostra que o aumento no consumo de minério de ferro é puxado pelo crescimento da economia de países emergentes, em especial a China. Entre os setores que mais usam minério de ferro estão o automotivo e a construção civil.

No primeiro semestre deste ano, os chineses compraram 1,8 milhão de automóveis novos, ou quase 60% das vendas de carro no Brasil no ano passado, quando o mercado bateu recorde por causa da redução de impostos. Já no setor imobiliário, o governo chinês estabeleceu como meta para 2010 a construção de três milhões de apartamentos populares. É um número 50% maior do que o previsto na segunda fase do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

A Vale ainda não revela detalhes da nova mina. Sabe-se que ela está localizada em Canaã dos Carajás, cidade de 23 mil habitantes no sudeste do Pará, e que terá quase a mesma capacidade de produção da mina da Vale no Complexo de Carajás. Descoberta em 1967 e inaugurada em 1985, ela foi concebida para produzir 35 milhões de toneladas ao ano.

Com o crescimento da economia brasileira e os efeitos positivos da globalização, a empresa teve que fazer adaptações na linha de produção para atender à demanda do mercado. As mudanças surtiram efeito. Até o final do ano, a expectativa é de que a produção atinja algo em torno de 110 milhões de toneladas anuais.

Cerca de um terço das 240 milhões de toneladas de minério de ferro produzidas pela Vale no ano passado saíram das minas instaladas na Serra dos Carajás. Isso faz com que o produto seja o mais importante do portfólio da empresa. Em 2009, as vendas de R$ 25,2 bilhões de minério de ferro responderam por pouco mais da metade da receita operacional da Vale.

O fato de ser a maior produtora de minério de ferro do mundo ajudou a empresa a ficar no segundo lugar entre as companhias que mais lucraram no ano passado. Com lucro de US$ 5,5 bilhões, a Vale ficou atrás apenas da Petrobras.

A S11D está em fase de licenciamento e de cotação de equipamentos e serviços. Do total de US$ 11,3 bilhões que serão investidos no projeto S11D, mais da metade será usada para aumentar a infraestrutura e a logística.

A ferrovia de Carajás, usada para transportar o minério até os portos, vai ganhar mais 100 quilômetros de extensão, até Canaã dos Carajás, onde será instalada a nova mina. Já a estrada de ferro atual, que liga Parauapebas a São Luis, no Maranhão, terá 605 dos 892 quilômetros de trilhos duplicados.

Ao mesmo tempo, o Terminal Marítimo de Ponta de Madeira, onde acontece o transbordo do minério de ferro nos navios que levam o produto para o exterior, vai ganhar mais um píer. Até 2015, a capacidade de embarque vai aumentar para 230 milhões de toneladas ao ano, quase o dobro da capacidade atual.

Monday, 24 May 2010

Revista Caros Amigos: “Temos que mudar essa política de expansão agressiva da Vale”

Representante do Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale leva denuncias à reunião de acionistas da transnacional brasileira de mineração

Por Tatiana Merlino
Caros Amigos

As violações ambientais e aos direitos trabalhistas resultantes da expansão da transnacional brasileira Vale (ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce) vêm sendo questionadas por organizações e movimentos do Brasil e de países onde a empresa está instalada, como Canadá, Chile, Moçambique, Nova Caledônia e Peru. Os trabalhadores e críticos da empresa estão organizados no Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale, que teve seu primeiro encontro internacional realizado entre 12 e 15 de abril, no Rio de Janeiro. Na ocasião, os movimentos lançaram o Dossiê dos Impactos e Violações da Vale no Mundo.

Uma das estratégias escolhidas pelos “atingidos pela Vale” foi, a exemplo do que ocorre na Europa, Canadá e Estados Unidos, adquirir ações da empresa e participar das assembleias de seus acionistas.

O advogado Danilo Chammas, representante da campanha “Justiça nos Trilhos”, participou de dois desses encontros, um ocorrido no final de abril, e outro em 19 de maio.

Para Chammas, dado o tamanho da empresa e dos impactos que ela causa, “é importante que, cada vez mais, esse espaço de debates e deliberações seja ocupado pelos cidadãos do mundo preocupados não só com a sobrevivência das comunidades e trabalhadores diretamente atingidos como com o próprio futuro do planeta”.

Caros Amigos - Qual foi o objetivo do Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale ao fazer uma intervenção na Assembleia Geral dos Acionistas da empresa?
Danilo Chammas - Participar da Assembleia de Acionistas é, para nós, mais uma frente entre tantas outras possíveis, como as ações de organização e de mobilização popular; como as medidas de caráter jurídico buscando embargar empreendimentos irregulares ou obter indenizações pelos danos; as greves; o monitoramento dos órgãos públicos fiscalizadores; a pesquisa, publicação e outras formas de produção e de troca de conhecimento; a divulgação à sociedade do real contexto em que vivem as comunidades e trabalhadores atingidos; e a desmistificação da imagem de empresa responsável e verde que a Vale tenta passar em suas campanhas massivas de publicidade. A prática em que grupos de atingidos adquirem ações e participam das assembleias das grandes corporações, apesar de praticamente inédita no Brasil, é corriqueira em empresas sediadas em países da Europa ou ainda Canadá, Estados Unidos, Austrália, entre outros.
No nosso caso, o coletivo de organizações que compõem o Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale acredita ser importante levar ao conhecimento dos acionistas/investidores certas verdades que a atual Diretoria Executiva – que vem dirigindo a Vale desde 2001 (gestão de Roger Agnelli) – faz questão de ocultar tanto em seus relatórios de sustentabilidade (e outros) como em suas campanhas de publicidade. Achamos importante revelar aos acionistas que essa política de diversificação com expansão agressiva e voraz – marca dessa gestão – tem gerado impactos sociais e ambientais causadores de conflitos e também formas de resistência capazes de gerar grandes prejuízos para a empresa e, consequentemente, um provável impacto grande sobre o valor das ações. E, na medida em que essa resistência vai se organizando em nível global – como está sendo o caso dessa rede internacional de atingidos que agora se conforma e se fortalece – a tendência é que cada vez mais a empresa esteja sujeita a situações adversas como a paralisação de trabalhadores, atraso na implementação de empreendimentos, multas e condenações judiciais milionárias (como, por exemplo, a recente condenação em R$ 300 milhões pela Justiça do Trabalho do Pará). E isso não é bom para os acionistas, tampouco para a empresa em si.

Como foi a intervenção? Quais foram os casos de violações da Vale que foram apresentados aos acionistas?
Tínhamos conhecimento prévio do edital de convocação da Assembleia, em que constava a pauta com os assuntos que seriam discutidos ali. Sabíamos que, em princípio, não havia espaço programado na agenda do dia para discussões a respeito dos assuntos que nós considerávamos relevantes. Estando ali, nos surpreendemos ainda mais com a rapidez com que eram conduzidas as votações e deliberações. Todas as questões foram sendo resolvidas em poucos minutos, sem qualquer debate. A assembleia propriamente dita durou menos de uma hora. Nossa intervenção veio somente após a apresentação feita por Fabio Barbosa, que, desde 2002, é o Diretor Executivo de Finanças e de Relações com os Investidores (CFO) – segundo homem da Vale – e que, na ocasião, representava a Diretoria Executiva na Assembleia.
A apresentação do Sr. Fabio Barbosa se concentrou no discurso de crescimento e expansão, com ênfase nos novos projetos previstos para começar em 2010. Incrivelmente, não fez nenhuma menção sequer à questão da sustentabilidade ou projetos sociais, muito menos sobre os conflitos, concentrando-se apenas nos números relativos aos investimentos propriamente ditos. Isso foi contestado imediatamente por um dos acionistas minoritários presentes. Em seguida, um outro acionista fez menção à “carta aos acionistas” que, naquela data, estava sendo distribuída na entrada do prédio da companhia, a qual trazia informações sobre o Movimento dos Atingidos pela Vale, indagando o Sr. Fabio Barbosa a respeito.
Em nome dos Missionários Combonianos Brasil Nordeste, associação civil que detém 10 ações ordinárias, a quem eu representava como procurador, pedi a palavra para registrar perante a assembleia algumas dessas omissões da direção da empresa.
Outra acionista também integrante do movimento de atingidos pela Vale indagou, em seguida, sobre o uso de milícias pela companhia para reprimir manifestantes. Mencionou o caso da Baía de Sepetiba e também do Peru, em que um funcionário da companhia chegou a ser processado criminalmente e condenado. Cópias do dossiê com os relatos dos casos foram distribuídas aos acionistas e inclusive para Fábio Barbosa.

Qual foi a reação dos acionistas e o que o diretor respondeu aos questionamentos?
Em relação às nossas colocações e perguntas, os acionistas em geral não reagiram e as respostas do diretor Fabio Barbosa foram genéricas. Segundo ele, as comunidades onde a Vale atua estariam em melhores condições de desenvolvimento que outras e que muitas comunidades imploram à Vale pelo investimento. Falou expressamente da Nova Caledônia, onde, segundo ele, todos estariam muito ansiosos pelo inicio da nova operação de exploração do níquel, o que sabemos não ser verdade. Quanto à greve, Fabio Barbosa preferiu não responder, disse que se tratava de uma questão de gestão e que a reunião de acionistas não era o espaço adequado para tratar daquele tema. Sobre as milícias no Peru e na Baía de Sepetiba (Rio de Janeiro), disse desconhecer o fato. Disse que a Vale não se envolve nesse tipo de ação. Sobre o Movimento e Encontro dos Atingidos, disse que sabia da existência, mas não iria comentar nada a respeito. Disse, por fim, que a insatisfação e as opiniões contrárias à Vale são de uma minoria. E que a Vale confia plenamente na Justiça brasileira porque ela (a Vale) age sempre corretamente, então não tem o que temer, pois sempre terá o Poder Judiciário ao seu lado.

Como você acha que esse tipo de atuação pode ajudar na fiscalização da atuação da transnacional brasileira?
Acreditamos que essa ação possa redundar na mudança dessa política de expansão agressiva e avassaladora levada a cabo pela atual Diretoria Executiva, na medida em que os assuntos que levamos a essa assembleia venham a ser mais frequentemente debatidos nesse mesmo fórum, de tal maneira que ele se converta no que deveria ser – um fórum real de debates e deliberações sobre os destinos da companhia – e na medida em que os acionistas vão gradativamente tomando conhecimento de que essa política atual já está causando e pode vir a gerar prejuízos ainda maiores à empresa e aos seus próprios investimentos. Dado o tamanho da empresa e dos impactos que ela causa, é importante, pois, que, cada vez mais, esse espaço de debates e deliberações seja ocupado pelos cidadãos do mundo preocupados não só com a sobrevivência das comunidades e trabalhadores diretamente atingidos como com o próprio futuro do planeta.


Veja o conteúdo da intervenção do advogado:

“Eu me chamo Danilo Chammas, sou advogado, e neste ato represento a associação civil denominada Missionários Combonianos do Brasil Nordeste, que é uma pessoa jurídica de direito privado com caráter religioso, assistencial, educacional e de ação social ligada a uma congregação da Igreja Católica.

Esta associação é composta majoritariamente de religiosos que vivem e atuam em diversas comunidades do Nordeste do país, muitas das quais sofrem o impacto cotidiano das operações desta companhia e lamentavelmente não usufruem do desenvolvimento tão prometido, ostentando baixíssimos índices de desenvolvimento humano (IDH). Isso justifica o nosso interesse em estar aqui e dialogar com vocês, externando as nossas preocupações. Queremos alertá-los para os prejuízos a que os acionistas podem estar sujeitos.

Temos verificado que a gestão atual da Vale tem posto em prática uma política de expansão rápida de suas operações, e que tem gerado conflitos em muitos lugares, dentro ou fora do Brasil. Essa conduta infelizmente tem provocado cada vez mais a degeneração de sua imagem e a reação dos grupos impactados (gerando prejuízos à empresa). Faço referência aqui ao recente encontro internacional dos atingidos pela Vale, realizado há duas semanas aqui no Rio de Janeiro, e do respectivo dossiê que relata situações de conflito em distintos países onde a Vale tem operações.
Esses impactados têm se valido das ferramentas legais disponíveis para questionar novos empreendimentos (impedindo ou atrasando a sua instalação) e também para obter por meio de ações judiciais uma reparação justa pelos danos sofridos. Essas condenações em alguns casos chegam a milhões de reais, como no caso da recente sentença da 1a. Vara do Trabalho de Parauapebas, no Pará, em que a companhia foi condenada a pagar R$ 100 milhões pelos danos morais e R$ 200 milhões por “dumping social”. (Ação Civil Pública n. 00685.2008.114.00-0)

Com isso fazemos referência aos “passivos contingentes” (formulário 16, item 10, pág. 28), que são aqueles passivos difíceis de serem estimados, exatamente por conta do - entre aspas - “incerto ambiente legal brasileiro”.

Um exemplo das reações que estão causando prejuízo à empresa é a greve que já dura nove meses no Canadá. Na página 16 do formulário 16, item 10, publicado no último 23 de março, está dito que houve um aumento de mais de R$ 400 milhões em “outras despesas operacionais”, sendo boa parte disso – segundo afirmado ali – graças à greve dos trabalhadores no Canadá.

O que temos visto é que se os trabalhadores cedessem às exigências da gerência da Vale no Canadá, ter-se-ia uma economia de apenas 5 centavos por libra de níquel extraído, em um contexto em que o preço do níquel está aumentando. Isso é insignificante para a empresa porém significa muito para os trabalhadores e a comunidade em geral. Essa disputa também está danificando as relações trabalhistas a longo prazo da Vale no Canadá e está prejudicando a sua reputação junto aos trabalhadores e comunidades em todo o mundo. Agora, a Vale diz que vai retomar a produção com trabalhadores terceirizados, algo que é bem complicado nas minas subterrâneas, onde se desenvolve um trabalho que requer bastante experiência e treinamento. Não seria bem melhor negociar de boa fé com os trabalhadores e o seu sindicato? O que realmente está acontecendo no Canadá?

Não é crível que a demanda de níquel vá realmente ser suprida nesse atual contexto. Inclusive por que temos o exemplo de Goro, na Nova Caledonia, onde a Vale esperava produzir 20 mil toneladas já neste ano. Lá a resistência das comunidades indígenas afetadas pelos constantes vazamentos de ácidos e a repercussão disso nas instituições jurídicas tem feito com que o projeto continue paralisado. Então, porque deveríamos nós acionistas acreditar no que dizem os gestores da companhia, de que ela em breve conseguirá alcançar a produção total de níquel sem esses trabalhadores que estão em greve?”

Friday, 7 May 2010

Greve no Canadá derruba ganho da Vale no trimestre

Mineradora vê lucro recuar 8,6%, para R$ 2,9 bi; alta do preço do ferro e retomada da demanda global devem ter impacto no 2º tri

Fonte: Folha de Sao Paulo, 06 de maio de 2010
Pedro Soares, da Sucursal do Rio


Nem mesmo a alta do preço do minério de ferro e o crescimento das vendas do produto pouparam a Vale da queda de 8,6% no lucro líquido da companhia no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2009.

A mineradora, segundo maior grupo do país, lucrou R$ 2,879 bilhões de janeiro a março. Ante o quarto trimestre, o ganho cresceu 6,3%.

O desempenho da Vale foi afetado principalmente pela greve em suas minas no Canadá (adquiridas em 2006 da Inco), que se arrasta desde setembro. A paralisação provocou um corte de cerca de 50% na extração de cobre e níquel.

Também prejudicaram o resultado, disse a companhia em seu balanço, a estação chuvosa no Brasil e problemas em terminais marítimos, que afetaram as exportações de ferro.

Tais efeitos se somaram à perda contábil com operações com derivativos de R$ 400 milhões, quase anulando o ganho de R$ 447 milhões com esse contrato no quarto trimestre.

A desvalorização do real no primeiro trimestre também trouxe um impacto negativo para o lucro da companhia, de R$ 157 milhões no período.

Todos esses fatores combinados impediram que a Vale se beneficiasse da expansão de 43% na produção de minério de ferro no trimestre, quando o mercado voltou ao pré-crise.

Com a maior produção e um preço mais alto do minério vendido à China, o faturamento da Vale somou R$ 13 bilhões no trimestre -alta de 8,1% ante os três últimos meses de 2009.

Mas a Vale se mostrou otimista quanto ao futuro. Disse no balanço que haverá "pouca oferta adicional de minério de ferro" em 2010 e 2011 -o que tende a pressionar o preço.

No fim de março, a Vale negociou com siderúrgicas de Coreia do Sul, Japão e Europa um reajuste de 90% no preço do minério de ferro válido para os três meses seguintes -no novo sistema "flexível" de contratos, antes corrigidos anualmente.

Tal aumento não foi ainda capturado no primeiro trimestre, diz o analisa Pedro Galdi, da corretora SLW. "Sazonalmente, o desempenho do primeiro trimestre é mais fraco. Mas vai explodir no segundo e no terceiro trimestres", prevê.

A Vale, porém, já se beneficiou em parte de preços mais altos com a China, que praticamente só tem comprado no chamado mercado "spot" (sem contrato, com preços livres). Essas cotações dispararam no início do ano, com aumentos superiores a 100%.


Empresa diz que pode entrar em Belo Monte

DA SUCURSAL DO RIO

Integrante do consórcio derrotado no leilão de Belo Monte, a Vale não descarta integrar o grupo vencedor e diz que tem interesse na energia a ser gerada pela usina.

O presidente da empresa, Roger Agnelli, disse que existe interesse em participar do grupo, mas a mineradora deseja ser convidada pelos ganhadores do leilão, liderados pela estatal Chesf.

O presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, disse que o fundo de pensão (da estatal Caixa Econômica Federal) também negocia a entrada no consórcio.

Thursday, 11 March 2010

Justiça do Trabalho condena Vale a pagar R$ 300 milhões



A Vara do Trabalho de Parauapebas, no Pará, condenou hoje (10) a Vale a pagar R$ 100 milhões por danos morais coletivos e mais R$ 200 milhões por dumping social. O juiz Jônatas Andrade acatou ação do procurador José Adilson Pereira da Costa do Ministério Público do Trabalho contra a empresa por considerar que a gigante da mineração estava lucrando indevidamente sobre a exploração indevida de seus empregados e prestadores de serviço na região da província mineral de Carajás. Cabe recurso.

Em resumo: os trabalhadores diretamente contratados pela Vale ou por empresas que prestam serviço a ela gastam um mínimo de duas horas de deslocamento para ir e voltar às minas, valor este que não era remunerado ou descontado da jornada. A Justiça do Trabalho entendeu que a empresa deve considerar as horas in itinere e remunerá-las, respeitando o limite máximo da jornada diária de trabalho legal.

A condenação por danos morais e por dumping social ficou a cargo da Vale e não das terceirizadas. De acordo com o juiz, a empresa determinada suas prestadoras de serviço a não computarem as horas para não prejudicar a interpretação da legislação feita pela companhia. “A construção do artifício de fraude foi comandada pela Vale, inclusive para o não pagamento dos direitos trabalhistas”, afirmou Jônatas a este blog.

Com isso a Vale teria economizado um valor superior a R$ 200 milhões nos últimos cinco anos, praticando concorrência desleal em detrimento da qualidade de vida dos seus empregados. Esse valor decorrente de dumping social deverá ser depositado no Fundo de Amparo ao Trabalhador como reparação à sociedade e ao mercado. Os R$ 100 milhões relativos ao dano moral coletivo, segundo a sentença, terão que ser revertidos à própria comunidade afetada (o que inclui todos os municípios da província mineral de Carajás e não apenas Parauapebas) através de projetos derivados de políticas públicas de defesa e promoção dos direitos humanos do trabalhador.

A Vale está proibida de impedir que as empresas terceirizadas incluam as horas in itinere nas planilhas de custo e terá que remunerar e computar essas horas para todos os efeitos legais. A decisão também será remetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Por: Leonardo Sakamoto

http://blogdosakamoto.uol.com.br/

Thursday, 4 March 2010

Vale e Rio Tinto querem aumentar em 50% preço do ferro na Ásia


da France Presse, em Pequim

As gigantes da mineração anglo-australiana Rio Tinto e a brasileira Vale querem aumentar em 50% o preço do minério de ferro que vendem aos fabricantes de aço asiáticos, e mantêm duras negociações com a China na questão, informa a imprensa oficial de Pequim.

A Rio Tinto quer impor um aumento de 50% em relação aos preços de referência de 2009, enquanto a BHP Billiton está disposta a vender o minério de ferro com a cotação de mercado, que atingiu níveis recorde esta semana, afirma o jornal China Daily.

A Baosteel, empresa chinesa que lidera as negociações com os fornecedores de minério de ferro, informou que vai aguardar a reação das empresas japonesas e sul-coreanas de aço antes de tomar uma decisão.

O porta-voz da Rio Tinto na Austrália, Gervase Greene, se negou a comentar as informações.

"Não fazemos comentários, não especulamos nem reagimos às especulações relativas às discussões sobre os preços", declarou.

A pressão sobre os fabricantes de aço na China para chegar a um acordo sobre os preços deste ano aumenta porque estes não conseguiram chegar em 2009, pela primeira vez em décadas, a um acordo com BHP, Rio e Vale.

A China, maior consumidor de minério de ferro do mundo, registrou um aumento das importações deste produto de 41,6%, a 627,8 milhões de toneladas, em 2009.

Thursday, 13 August 2009

Perguntas e respostas sobre a Greve no Canadá


Fonte: USW - Fair Deal Now!
27 de Julho de 2009


Por que o contrato foi estendido de 1º de junho até 12 de julho?


Resposta – A Comissão de Negociação concordou com a extensão na esperança de que a Vale-Inco de fato negociaria um acordo mutuamente aceitável, ao invés de simplesmente continuar a exigir grandes concessões de nossa parte. Infelizmente, isto não aconteceu. Eis por que os membros do sindicato rejeitaram a proposta e agora estamos em greve.


A proposta da Vale (com grandes retrocessos) afetaria a comunidade negativamente?


R – Sim. Os efeitos de um acordo nesses moldes seria devastador para as comunidades locais. A renda familiar dos trabalhadores sindicalizados tem tido um papel central na construção e estabilidade de nossas comunidades. Há décadas, os rendimentos de nossos sócios e pensionistas apóiam as obras de caridade, os grupos cívicos e religiosos, além de constituir a espinha dorsal de nossas pequenas empresas.

Nossa economia local como um todo sofreria um forte impacto se fosse privada da renda de nível de classe média dos mineiros e metalúrgicos.


A Vale é uma empresa lucrativa?


R – Sim. A Vale é uma multinacional altamente lucrativa. Ano passado, a Vale lucrou US$ 13,2 bilhões (já descontados os impostos). Como ela tem dado muito lucro ano após ano, ela está muito líquida no momento. A Vale tem ativos de liquidez imediata no valor de US$ 22 bilhões (valores de 31/3/2009).


As operações canadenses da Vale têm sido lucrativas?


R – Sim. A Vale tem sido altamente lucrativa em seus 2 anos no Canadá. Só na Província de Ontario, ela lucrou duas vezes mais nesse período que a Inco lucrou nos 10 anos anteriores.

O lucro da Vale na Província de Ontario foi de US$ 4,1 bilhões entre 2006 e 2008. A Inco lucrou US$ 2,2 bilhões em Ontario nos 10 anos anteriores.


Vivemos tempos difíceis em termos econômicos. Será esta a razão para a Vale-Inco exigir essas grandes concessões dos trabalhadores?


R – Achamos que os fatos desmentem essa versão. As concessões que eles insistem que façamos não afetam a situação atual. A principal é o ataque ao abono do níquel. Esse ataque é justamente o oposto ao que se faria normalmente num contexto de dificuldades econômicas.

O abono do níquel é um mecanismo inovador criado pela Inco e o USW que em épocas de crescimento distribui parte dos ganhos para os trabalhadores e em épocas de retração protege a empresa. O fato da Vale estar atacando logo este benefício (que atualmente não está rendendo nada) demonstra que ela não se motiva pela atual situação econômica.


Se o abono do níquel atualmente está zerado, então por que a Vale faz dele o núcleo de suas exigências?


R – A primeira resposta é: “Pergunta pra ela!”

Mas a resposta mais óbvia é que a posição “linha-dura” desta empresa extremamente lucrativa sempre teve pouco a ver com a situação econômica atual. Trata-se de reestruturar sua relação com os trabalhadores de forma que estes (e, consequentemente, suas comunidades) não venham a participar significativamente dos benefícios quando bons tempos voltarem.


Já que a Vale tem essa linha dura quanto aos salários e benefícios dos trabalhadores, seus executivos também estão fazendo sacrifícios?


R – Não. Os seis executivos de alto escalão da Vale juntos ganharam US$ 33 milhões em 2008. [Obs.: A Vale não desagrega a remuneração dos executivos e CEO.]


Durante esses tempos difíceis, os executivos da Vale estão tendo que apertar o cinto?


R – Não. Os executivos estão ganhando muito bem, obrigado. Eles recebem “salário fixo” e “remuneração variável”, além de benefícios e ações (ordinárias e preferenciais). Entre 2006 e 2008, sua remuneração subiu 121%. É isso mesmo, 121% em dois anos.


Por que o governo canadense permitiu que uma multinacional estrangeira comprasse nossos recursos naturais? A Vale violou algum de seus compromissos?


R – O governo do Partido Conservador permitiu que nossos recursos fossem para mãos brasileiras por dois motivos. Primeiro, porque supostamente haveria um benefício líquido para o Canadá. Segundo, porque embora nem todos os detalhes tenham sido trazidos a público, houve uma série de promessas feitas pela Vale com relação ao primeiro triênio, entre elas que não haveria demissões.

Nós achamos que ela deveria ter mantido essas promessas. E está difícil a gente encontrar o tal “benefício líquido” para o Canadá, se ela pretende arrochar o seu quadro de trabalhadores desta maneira. A Vale começou a reestruturação antes do final do triênio e o resultado são demissões de trabalhadores tanto sindicalizados quanto não-sindicalizados. Além disso, ela suspendeu todas as operações de Sudbury em junho e julho.


Quando a Vale adquiriu a Inco, chamando o negócio de “compra dos sonhos”, e fez essas promessas ao governo canadense, ela sabia que o contrato incluía um plano de pensão com benefícios definidos e que tinha o abono do níquel como um elemento central?

R – Sim. A Vale sabia de todos os compromissos do acordo coletivo e do longo histórico de trabalho entre a Inco e o USW com vistas à estabilidade trabalhista e ao fortalecimento da comunidade local.


A posição da Vale-Inco na mesa de negociações mudou desde 7 de abril?

R – Absolutamente não. A exigência dessas grandes concessões de nossa parte sempre esteve lá. Na realidade, não houve uma negociação real. O que houve foi que eles simplesmente exigiram concessões sem parar, ao passo que todas as propostas do sindicato foram simplesmente negadas e postas de lado, tamanha a intransigência da empresa.


O sindicato se ofereceu para trabalhar com a Vale-Inco na redução de custos?

R – Sim. A Inco e o USW, antes da aquisição pela Vale, fizeram bastante disso. Isso já funcionou bem, com uma equipe conjunta que observava as operações e como eram conduzidas. Trabalhando conjuntamente e envolvendo quem de fato faz a empresa andar, isto é, os trabalhadores, muitas idéias surgiram e muitas economias foram feitas. Na negociação, sugerimos retomar essa prática, mas a sugestão foi negada e as concessões simplesmente exigidas.


O USW está trabalhando com outros sindicatos que atuam na Vale?

R – Sim. O USW já recebeu apoios incríveis de trabalhadores e sindicatos de muitos países dos quais a Vale extrai recursos pelo mundo afora. Os trabalhadores do Brasil já expressaram sua solidariedade porque já tiveram a experiência da dura luta para conseguir um salário justo pelo trabalho na Vale.

No Reino Unido, o sindicato Unite the Union (a maior do país) tem sócios que trabalham em operações da Vale. O USW e o Unite the Union fizeram uma aliança oficial, formando o primeiro sindicato global: “Workers Uniting” [Link: http://www.usw.ca/program/content/overview_sub.php?modules2_ID=685&modules_ID=685⊂=685&lan=en]


O que devem pensar de tudo isso os integrantes da comunidade que não são sindicalizados?

Cada pessoa que mora ou trabalha em Sudbury, Port Colborne e Voisey’s Bay deveria reconhecer que o bem-estar e a viabilidade econômica de sua comunidade está sob ameaça. A questão não é se a Vale-Inco sobreviverá a esta recessão. Os lucros dela respondem a essa pergunta. A verdadeira questão é: quando acabarmos por sair desta recessão, nossas comunidades poderão contar com aquela renda familiar de nível de classe média, tão crucial para a economia local?

Para o Canadá, a questão é se nossos recursos naturais, e os empregos difíceis e perigosos envolvidos em sua extração, podem oferecer a essas famílias trabalhadoras uma remuneração confiável e um bom padrão de vida.

É simplesmente errado que empresas estrangeiras extraiam recursos canadenses e realizem lucros tão substanciais, sem prover uma renda segura a famílias e comunidades onde tanto se trabalha.

Saturday, 18 July 2009

A Vale e o potassio: novos projetos

RIO - A Vale negou ter feito proposta para aquisição de empresas do setor de fertilizantes, embora tenha admitido ser frequentemente procurada por intermediários financeiros com o propósito de oferecer oportunidades de aquisição de empresas produtoras de fertilizantes.

"Contudo, tendo em vista a superioridade de nossas alternativas de crescimento orgânico, a Vale não realizou qualquer proposta com vistas a adquirir empresas do setor", diz a nota divulgada pela mineradora.

O comunicado da Vale foi divulgado um dia depois de a imprensa veicular notícias sobre uma possível oferta de US$ 25 bilhões para a compra da Mosaic, empresa produtora de fosfato e potássio controlada pela Cargill.

"Dado que dispõe de sólida posição financeira e possui clara estratégia de crescimento de sua capacidade de produção, a qual vem sendo implementada através de substancial volume de investimentos nos últimos anos, somando US$ 51,7 bilhões de 2004 até março de 2009, a Vale se constitui naturalmente em alvo de rumores e especulações sobre aquisições de empresas de mineração", acrescenta o comunicado da Vale.

No documento, a mineradora admite que a expansão de suas atividades no setor de fertilizantes é um objetivo estratégico, mas lembra que há diversas formas de concretizá-lo com oportunidades de crescimento orgânico.

Entre as opções listadas pela Vale estão os projetos de desenvolvimento de ativos para a produção de potássio de Carnalita, no Estado de Sergipe, no Brasil; Rio Colorado e Neuquén, na Argentina; Regina, no Canadá; e Evate, em Moçambique.

"A execução desses projetos transformará a Vale num dos líderes globais na produção de potássio, com produção estimada em mais de 12 milhões de toneladas anuais", afirma a nota.

A empresa diz ainda que o retorno esperado dos projetos próprios é maior que aquele proporcionado por aquisições no setor.

A Vale desenvolve ainda o projeto de Bayóvar, no Peru, com investimento total orçado em US$ 479 milhões e capacidade de produção anual de 3,9 milhões de toneladas anuais de concentrado fosfórico. Até o final de junho deste ano, foram investidos US$ 159,3 milhões na construção de Bayóvar, cuja conclusão está prevista para o final de 2010. Numa segunda fase, Bayóvar poderá atingir produção total de 7,3 milhões de toneladas anuais.

(Valor Online)

Thursday, 16 July 2009

Trabalahdores da Vale em greve no Canadá: Carta às comunidades

(tradução livre por este blog)


CARTA ÀS COMUNIDADES
Prezados membros das comunidades,
Nós trabalhadores da Vale-Inco fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para evitar a greve.
Nós sabemos o quão difícil isso será para nossos membros e suas comunidades. Mas nós também sabemos o quão difícil seria se tivéssemos aceitado as propostas da companhia para uma reestruturação dramática a longo-termo, com cortes em nossos direitos.
Esta rodada de negociações tem sido como nenhuma outra se comparada às negociações anteriores com a Inco. Vale, a nova proprietária, que é atualmente uma multinacional brasileira altamente rentável, escolheu usar a crise econômica mundial como uma falsa desculpa para impor cortes profundos e a longo prazo que, se implantados, provocarão sérios abalos no orçamento das famílias que compõem as nossas comunidades.
O fato é que, nos últimos dois anos, as operações na Província de Ontario têm rendido à Vale o dobro de lucro que a Inco tinha extraído de lá nos 10 anos anteriores.
Nós compreendemos que estes são tempos difíceis, e nós levamos isso em conta durante todo o processo de negociação. Contudo, o foco da Vale não tem sido buscar maneiras de superar esses tempos difícies. (Considerando que eles têm em caixa 22 bilhões de dólares americanos em ativos, pode-se ver porque eles não estão tão preocupados assim com essa questão tal como nós pensávamos que eles estariam).
Ao contrário, o maior enfoque deles tem sido na redução dramática de um benefício cujo pagamento não se daria nestes tempos difíceis atuais (ou em nenhum outro período de dificuldades financeiras).
O "nickel bonus" se trata de um mecanismo inovador desenvolvido por Inco e USW para permitir aos trabalhadores compartir os benefícios em tempos de prosperidade e para ajudar a proteger a companhia em períodos difíceis. O fato de a Vale estar atacando esse mecanismo (que atualmente não lhe custa absolutamente nada) mostra que eles estão baseando suas ações na crise econômica atual.
Vale está se aproveitando deste momento para atacar e tentar acabar com um mecanismo justo, sabendo que os bons tempos voltarão.
Ao mesmo tempo, parece que Vale tem como política dar a seus mais altos diretores parte de seus lucros agora mesmo. O pagamento dado a seus seis maiores executivos aumentou em 120% nos últimos dois anos (de 2006 a 2008).
Vale ainda insiste que necessita impor essas restrições radicais a seus trabalhadores canadenses.
Nós acreditamos que toda pessoa que vive ou trabalha nas comunidades de Sudbury, Port Colborne e Voisey’s Bay tende a compreender que a saúde e a viabilidade de sua comunidade está sendo colocada sob ameaça.
A Vale Inco está apta para sobreviver a esse período de recessão. Seus lucros respondem facilmente a essa questão. A verdadeira questão é se nossas famílias seguirão mantendo seus padrões de vida atuais de "classe-média", quando nós sairmos dessa recessão.
Para o Canadá, a questão que se coloca é se nossos recursos naturais, e as difíceis e perigosas tarefas envolvidas na sua extração, podem prover a famílias confiáveis e trabalhadeiras uma "compensação de classe-média".
Não está correto que companhias estrangeiras, que extraem recursos naturais canadenses e através disso obtêm lucros tão exorbitantes, não proporcionem às nossas famílias e comunidades uma renda segura e justa.
Nós pedimos e agradecemos o seu apoio.

Respeitosamente,
USW locals 6500, 6200 and 6480

Página oficial sobre a greve dos trabalhadores da Vale no Canadá


Esta é a página oficial (em inglês), dirigida especialmente aos familiares dos trabalhadores e suas comunidades, com informações sobre a greve dos tabalhadores da Vale no Canadá: http://www.fairdealnow.ca/


A página explica os motivos que levaram aos trabalhadores à decisão pela greve e compara a proposta "indecorosa" que lhes foi apresentada pela companhia com os 121% de aumento recebidos pelos diretores da Vale nos últimos dois anos. Também é abordado o fato de a Vale ter tido um lucro de 13,2 blhões de dólares no ano passado e possuir atualmente um caixa de 22 bilhões, conforme dados do último dia 31 de março.




Thursday, 14 May 2009

Banks gear up for iron ore trading

Three of the biggest banks in commodities plan to launch trading in iron ore, a further signal of the rapid growth of the mineral’s derivatives market amid disarray in the annual price negotiations. The move by Morgan Stanley, Goldman Sachs and Barclays Capital into cash-settled iron ore swaps comes as mining executives acknowledge openly that the traditional system of annual talks – known as the benchmark – to settle prices for the input to steel is breaking down.

The secretive negotiations are between Vale of Brazil, Rio Tinto and BHP Billiton and the steelmakers, led by Baosteel and the China Iron and Steel Association.

Traders said spot prices – physical and paper – could gain further importance if miners and steelmakers fail to reach an agreement for the 2009-10 prices, after missing an April 1 deadline. They said the possibility of a failure was growing.

The likelihood of a structural change to price iron ore sales based on spot prices rather than annual settlements comes a year after the launch of the first cash-settled ore swap by Credit Suisse and Deutsche Bank.

Among the banks, Morgan Stanley said it had started trading iron ore.
Barclays said it was “considering entering into the iron ore market in response to” its customers’ needs while bankers said Goldman Sachs was looking into ore, but added that its plans appeared less defined.
Goldman declined to comment.

Espen Aaboe, managing director of freight at Morgan Stanley in London, said that as the spot market for iron ore has evolved, Morgan has concluded that there are “opportunities” for both the bank and its clients. “It is clear that the benchmark system is undergoing change and that the long-term trend may be evolving towards a spot pricing market,”
he told the Financial Times.

Bankers and traders said Morgan was better positioned than others to profit from iron ore trading because of the linkages with its strong freight business.

The spot physical ore market last year saw transactions worth about 180m tonnes, up 50 per cent from 2007, and accounting for about a fifth of the total seaborne ore market, according to BHP Billiton.
Traders estimate about 18m tonnes of iron ore was traded on the derivatives, or paper, market in the past 12 months and say volumes could hit 30m-40m tonnes by the end of the year.

The paper market has been boosted after LCH.Clearnet, Europe’s largest independent clearing house, and Singapore Exchange announced that they would clear the swaps. The move is important because until now, buyers and sellers of the private, bilateral over the counter swaps bore the risk of their counterparties defaulting, deterring some potential
participants. Now that concern has been salved.

Ian Ashby, head of iron ore at BHP Billiton, said the market was following a natural evolution. He told an industry conference last week in Sydney: “Not only is iron ore now traded daily on the physical market, but also every day iron ore paper contracts are traded.”

Copyright The Financial Times Limited 2009
www.ft.com/cms/s/0/0445a55c-3e55-11de-9a6c-00144feabdc0.html

By Javier Blas, Commodities Correspondent

Published: May 11 2009 22:34 | Last updated: May 11 2009 22:34

Wednesday, 6 May 2009

Corte de custo deve melhorar lucro da Vale no trimestre

A mineradora Vale do Rio Doce deve apresentar lucro líquido no primeiro trimestre de 2009 superior aos R$ 2,2 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado. Apesar da queda no volume de vendas, por causa da crise global, os preços mais altos do minério de ferro e das pelotas, que são ajustados anualmente, devem contribuir para sustentar o resultado. O controle de custos deve ser outro fator importante para o aumento do lucro.

As projeções de bancos e consultorias para o resultado líquido da companhia são muito variadas. Vão de um piso de R$ 2,6 bilhões do banco Fator a R$ 3,2 bilhões da Brascan Corretora, R$ 3,4 bilhões do Citi, R$ 3,7 bilhões do Modal Asset a até R$ 5,3 bilhões de analistas de corretoras que não quiseram ser identificados. O resultado da mineradora brasileira no primeiro trimestre será divulgado amanhã, após o fechamento do pregão.

As estimativas de receita da companhia no período estão mais consensuais, concentradas no patamar de R$ 14,9 bilhões a R$ 15 bilhões, também acima do faturamento do primeiro trimestre do ano passado.

Apesar da demanda fraca pelo minério, a Vale conseguiu embarcar 50 milhões de toneladas do produto, das quais 30 milhões de toneladas para a China, a um preço médio de US$ 74, segundo estimativas do relatório do Citi.

O banco americano, que espera um "desempenho fraco" para a empresa no primeiro trimestre, avalia que a Vale deu descontos de 20% para as mineradoras chinesas durante o mês de março. Em janeiro e fevereiro, as vendas de minério da Vale foram provavelmente fechadas a preços de contrato, devido aos altos preços do mercado à vista no período.

O Citi projeta também para o trimestre embarques de 56 mil toneladas de níquel, a um preço médio de US$ 10.340 a tonelada.

Eduardo Roche, chefe da área de análise do Modal Asset, calcula que a queda de preço e de demanda do níquel possa ter reduzido a participação do metal no faturamento da Vale.

As projeções para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) da Vale no primeiro trimestre do ano vão de R$ 6 bilhões a R$ 6,9 bilhões.

A projeção mais alta, que supera o lajida do primeiro trimestre do ano passado (R$ 6,6 bilhões) e do último trimestre de 2008 (R$ 6,5 bilhões), parte da expectativa de que a empresa tenha sido severa na contenção de custos e de despesas operacionais no período, decorrentes de ajustes que tem praticado desde o quatro trimestre de 2008.

Os analistas consultados esperam uma recuperação da margem lajida da companhia, para percentuais entre 42,8% e 44%, indicando aumento em relação ao último trimestre de 2008 (38%) e queda na comparação com os 47% do primeiro trimestre do ano passado.

Roche, do Modal Asset, atribuiu esse avanço de margem no curto prazo a um controle de custos mais adequado para o faturamento da empresa. Ele acredita que a Vale está se adaptando às condições atuais de mercado. "A duvida agora é se as vendas vão pegar um pouco de gás no segundo trimestre, já que o mercado está muito incerto e as siderúrgicas estão dando sinais preocupantes", afirmou.

O analista destacou que a Nucor, nos Estados Unidos, e a gigante Arcelor Mittal, fecharam o trimestre com prejuízo.

As ações da Vale subiram ontem na bolsa. As preferenciais classe A avançaram 8,7%, mais do que o Ibovespa, que subiu 6,6%.

Por Vera Saavedra Durão, do Rio


Sunday, 3 May 2009

Rebaixamento de 15% dos custos para Vale

Bartolomeo, diretor de logística: "Baixamos em 15% o custo dos projetos"

A Vale do Rio Doce aproveitou a crise econômica mundial, que reduziu a demanda por minério de ferro, para ajustar os investimentos da empresa na área de logística. O plano da mineradora é investir US$ 11,4 bilhões entre 2009 e 2013, abaixo dos US$ 12 bilhões previstos no planejamento anterior, válido para o período 2008-2012. O número um pouco menor reflete o fato de que, em função da crise, a empresa ganhou mais tempo e conseguiu reduções de custos para implantar o projeto de ampliação da capacidade da Estrada de Ferro de Carajás (EFC) e do terminal marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão.

A ferrovia e o porto, ambos situados no chamado sistema norte da Vale, devem receber cerca de US$ 7 bilhões para aumentar em quase 80% em cinco anos a capacidade de escoamento. A capacidade atual do sistema logístico norte da Vale, que é de 130 milhões de toneladas por ano, deve chegar a 230 milhões de toneladas a partir de 2014. A nova realidade do mercado permitiu à Vale baixar em 15% o custo dos projetos de ampliação da EFC e do terminal de Ponta da Madeira, o que representa economia de US$ 1 bilhão, disse Eduardo Bartolomeo, diretor executivo de logística da mineradora.

A economia é resultado da renegociação de preços com fornecedores de equipamentos e serviços, do câmbio e também de mudanças na forma de executar o projeto de engenharia no sistema norte. A empresa poderá comprar trilhos mais baratos e, em um primeiro momento, terá menos canteiros de obras. "Mas estamos mantendo o compromisso de dobrar os investimentos (em logística) nos próximos cinco anos, apesar da crise", disse Bartolomeo. A comparação refere-se aos US$ 5,15 bilhões investidos em logística no período 2004-2008, quando a empresa ampliou a malha ferroviária em mil quilômetros e incorporou à frota 260 locomotivas e 11,3 mil vagões.

"Continuaremos a ser quem mais investe (em logística no país)", disse Bartolomeo. Ele afirmou que a decisão de continuar a investir busca evitar que no momento em que houver uma retomada da demanda por minério de ferro a empresa tenha limitações de capacidade para escoar a produção, como já ocorreu no passado. "Caso a condição de mercado mude (para melhor), podemos acelerar o desenvolvimento do programa (de investimentos)", afirmou.

A Vale prepara-se para começar, em outubro, as obras do pier quatro em Ponta da Madeira (MA), projeto que está em audiência pública e que quando estiver a plena carga terá capacidade de escoar 100 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A ampliação do terminal marítimo de Ponta da Madeira previa obras em terra e no mar. "Agora vamos avançar no projeto desde a terra (para o mar) porque ganhei mais tempo no planejamento. Esse é um exemplo de mudança de escopo que deixa o projeto mais barato", disse.

Bartolomeo negou que os ajustes signifiquem adiamentos nos projetos, uma vez que o início das principais obras foi mantido de acordo com o cronograma original. O que ocorreu foi que fases intermediárias dos projetos puderam ser reprogramadas em função da crise. O executivo afirmou que o primeiro novo berço para carregar navios de minério em Ponta da Madeira terá de estar pronto em 2012, mas o segundo berço poderá ser feito mais adiante. Os dois berços estarão ligados ao pier quatro.

Os investimentos em logística no sistema norte serão feitos independente do desenvolvimento de Serra Sul, em Carajás, o maior projeto novo ("greenfiled") da empresa e o maior do mundo em termos de produção de minério de ferro. "Teremos também Serra Norte e capacidades adicionais (de carga) vindas da Norte-Sul (a ferrovia Norte-Sul, que se liga à EFC) e de carga geral", disse Bartolomeo. Uma das grandes apostas da Vale é ampliar o escoamento de grãos, sobretudo soja, pelo corredor Norte-Sul-EFC-Ponta da Madeira. Segundo as projeções da empresa, o movimento de grãos poderá chegar a 8,8 milhões de toneladas em 2013.

Bartolomeo acrescentou que o sistema sul da Vale também está recebendo investimentos para ampliar a capacidade dentro dos US$ 11,4 bilhões previstos até 2013. Os investimentos incluem a instalação de novos carregadores de navios no porto de Tubarão, no Espírito Santo. O porto, que hoje tem capacidade de exportar 105 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, deve aumentar a capacidade para 120 milhões de toneladas/ano. A Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM), também controlada pela Vale, está aumentando sua capacidade de transporte em 20% graças à implantação de um novo sistema de sinalização.

Fonte: Valor Econômico, 29 de Abril de 2009 

Saturday, 11 April 2009

Vale: Relatório de desempenho no quarto trimestre de 2008


No último dia 19 de fevereiro, a Vale publicou seu relatório com dados sobre o seu desempenho no último trimestre de 2008.

O documento evidencia seu "forte desempenho operacional e financeiro em 2008, destacando diversos recordes de produção, vendas e financeiros".

Para baixar o arquivo (PDF) de 31 páginas, basta clicar aqui.

Outros documentos podem ser baixados a partir desta página.

A divulgação dos resultados quanto ao primeiro trimestre de 2009 está prevista para ocorrer no próximo dia 06 de maio.

No dia seguinte, 7 de maio, dar-se-á uma conferência telefônica e webcast às 11:00 horas, horário do Rio de Janeiro.

Thursday, 26 March 2009

Vale inicia retaliação aos sindicatos de mineração em Minas Gerais


Fonte: CONLUTAS

Por Valério Vieira
e Bernardo Lima,
de Congonhas, MG

Crise Econômica acirra luta de classes na empresa

A crise que sacudiu a economia mundial em meados de 2008 está produzindo um impacto de grandes proporções no mercado de commodities, em especial do minério de ferro. A Vale, maior empresa privada do Brasil e segunda maior mineradora do mundo, encontra-se no olho do furacão e foi uma das primeiras a se mexer no sentido de jogar nas costas de seus empregados o efeito da crise econômica.

A contraparte desse processo, a reação dos trabalhadores e das comunidades, levou ao acirramento da luta de classes entre empresa e empregados, e também com setores da sociedade civil organizada. Todas as diferenças entre as partes nessa luta reduzem-se a uma única questão: quem pagará pela crise econômica? E nessa luta a empresa tem demonstrado que não possui nenhum freio moral para suas ações.

A Vale entra na crise em situação privilegiada

A principal diferença da Vale para a maioria das empresas que foram surpreendidas pela crise é que ela se encontra em situação extremamente privilegiada. A previsão do lucro da empresa em 2008 é de US$ 14,424 bilhões de dólares, bem superior aos US$ 11,825 bilhões do ano anterior. Além do mais, a Vale declarou que virou o ano com US$ 15,3 bilhões de dólares em caixa, suficiente para manter por 10 anos seus empregados do mundo todo.

Mesmo com a crise econômica a empresa enviou US$ 2,85 bilhões de dólares aos acionistas no ano passado, e declarou que repassará em 2009 um mínimo de US$ 2,5 bilhões. Isso significa que apenas o repasse aos acionistas seria suficiente para manter toda a mão-de-obra da empresa por dois anos.

No planejamento da empresa para 2009 consta um gasto de US$ 14,2 bilhões em investimentos. A Vale já adquiriu durante a crise 49 navios, a mina de Corumbá e duas minas de potássio na Argentina (comprou da segunda mineradora do mundo, a Rio Tinto), os ativos da Argos Cementos (empresa da mineração de carvão) na Colômbia, investiu na extração de gás natural no Brasil e em minas de cobre na África.

A posição da Vale é tão privilegiada que ela se dá ao luxo de ser compradora durante a crise econômica e pode operar por mais de uma década em déficit sem se ver ameaçada por falência. A Vale é a típica empresa que, por sua posição e seu caixa, se prepara para tornar-se a primeira mineradora do mundo, no meio da crise econômica.

2008: A Vale é vanguarda das demissões

Quando o mercado internacional começou a demonstrar os primeiros sinais de crise, a Vale tomou uma decisão audaciosa: ser a pioneira das demissões no Brasil. A empresa demitiu de uma só vez 1300 trabalhadores e apresentou aos sindicatos brasileiros uma proposta de suspensão dos contratos de trabalho. Esse acordo, que só pode ser aplicado se aprovado pelos sindicatos, permite à empresa suspender o contrato dos trabalhadores pagando 100% do salário em bolsas, sem direito à férias, FGTS, PLR, ou qualquer outro encargo social, sem qualquer garantia de emprego, mantendo os trabalhadores em cursos de formação profissional.

A Vale também iniciou um forte lobby junto ao governo e à imprensa pedindo a redução dos direitos trabalhistas como forma de facilitar a vida dos patrões durante a crise econômica. Uma entrevista de grande repercussão foi dada por Roger Agnelli, presidente da Vale, à Folha de São Paulo, pedindo "medidas de exceção" que reduzissem os direitos dos trabalhadores.

A reação dos movimentos sociais: Resistência e Capitulação

A reação do movimento sindical da mineração ao primeiro movimento de demissões na empresa foi marcado por posturas opostas. O Sindicato Metabase de Itabira e o Sindicato Metabase Inconfidentes (Congonhas, Ouro Preto e região), ligados à Conlutas, disseram não à proposta da empresa e procuraram o diálogo com os movimentos sociais, sociedade civil e poder público no sentido de organizar a resistência às aspirações da empresa. Já os sindicatos ligados ao grupo CUTVALE (sindicatos da Vale ligados à CUT) e Renovação (sindicatos pelegos tradicionais) correram para aprovar o acordo da suspensão dos contratos e minimizar as demissões que vinham ocorrendo.

O início do ano de 2009 começou dando razão ao movimento combativo. Um amplo movimento envolvendo o sindicatos, associações comunitárias, entidades do comércio, prefeituras e parlamentares levou à uma grande manifestação na cidade de Itabira, causando impacto nacional. Seguiu-se a isso os atos municipais de Congonhas e Conselheiro Lafaiete (nessa cidade encabeçada pelos ferroviários da MRS) em forte demonstração de repúdio às propostas de demissões e redução de direitos.

A empresa sentiu o golpe. A opinião pública dava a cada dia provas de insatisfação com as medidas da empresa. Mesmo a grande imprensa teve que reconhecer que a Vale estava sendo injusta e não tinha razões para demitir. Anos e anos de meticulosa construção da imagem da Vale estava indo por água abaixo. E a empresa foi obrigada a tentar um novo caminho.

Metade do salário e PLR baixa para o trabalhador. Lucro bilionário para os acionistas

Derrotada em sua proposta de suspensão dos contratos e vendo sua imagem prejudicada, a Vale fez nova proposta aos sindicatos: conceder Licença-Remunerada aos trabalhadores pagando metade do salário base até 31 de maio. A cereja do bolo envenenado é que o acordo concede relativa estabilidade no emprego até esta data.

Munida com essa proposta, e aproveitando a onda de acordos com redução de salários da indústria metalúrgica, a Vale inicia nova ofensiva sobre trabalhadores e sindicatos. Apesar de ocorrida duas reuniões da Rede Vale (reunião de todos os sindicatos representantes de empregados da Vale) que afirmaram o compromisso de enfrentar conjuntamente a empresa, os sindicatos da CUTVALE e da Renovação saem em defesa da nova proposta e assinam o acordo com a Vale. Enquanto isso, os sindicatos da Conlutas organizaram reuniões com o governo Lula em Brasília, através do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, com o vice-governador de Minas Gerais e os prefeitos das cidades atingidas e seguiram mobilizando as bases para a rejeição da proposta.

A Vale não consegue esconder por muito tempo seus reais objetivos. Em resolução que faria qualquer pessoa corar, a Diretoria Executiva da Vale indica um repasse mínimo de US$ 2,5 bilhões de dólares aos acionistas em 2009. Ou seja, enquanto propõe ao trabalhador receber apenas 50% de seu salário, envia bilhões de dólares para enriquecer ainda mais acionistas no exterior.

Ao saber da vergonhosa resolução da diretoria, os sindicatos Metabase Itabira e Metabase Inconfidentes produzem uma Proposta ao Conselho de Administração exigindo a rejeição do indicativo, a redução pela metade do repasse aos acionistas e a abstenção de novos investimentos no exterior, visando manter caixa que garanta que a reintegração dos demitidos e a estabilidade no emprego por pelo menos um ano, sem necessidade de reduzir salários ou suspender contratos. A proposta foi apresentada aos outros sindicatos, que optaram por não assinar conjuntamente o documento.

Ao mesmo tempo, o Metabase Inconfidentes protocola denúncia no Ministério Público devido ao fato do acordo proposto infligir a Constituição Federal (artigo 7º, inciso 6) e a Lei 4923/1965, que abre espaço para redução de salário dos trabalhadores, com prévio acordo dos sindicatos, apenas para empresas em dificuldades financeiras.

Ato no Rio de Janeiro

No meio desse furacão os sindicatos da mineração, a Conlutas e a CUT realizaram uma manifestação conjunta no Edifício Barão de Mauá, sede nacional da Vale. A manifestação contou com 500 ativistas e teve um tom bastante radicalizado. Os manifestantes gritavam palavras de ordem pela reestatização da empresa e contra as demissões. Exigiam também a reintegração dos demitidos, a estabilidade no emprego e faziam uma denúncia do Lula, que ajuda os empresários com empréstimos bilionários. Ao mesmo tempo, exigiam a intervenção do governo Lula de forma decidida através de uma MP que proíba demissões massivas.

Chamou a atenção a unidade das centrais no discurso contra as empresas privadas, mas também a dissonância dos discursos quando se toca na questão do governo. Enquanto a Conlutas denuncia a postura de Lula de salvar empresas enquanto nada faz pelo trabalhador e exigir do governo medidas decisivas nesse momento de crise, a CUT sai em defesa de Lula e se cala frente aos repasse.

Retaliação e crime contra a organização sindical

Desde o primeiro momento a Vale e os sindicatos pelegos esforçam-se para isolar a Conlutas e os sindicatos de Itabira e Inconfidentes. A empresa comete, sucessivamente, crime contra a organização sindical ao fazer demissões seletivas nas vésperas das assembléias visando criar o pânico entre os trabalhadores. A empresa já desistiu de ganhar o trabalhador na conversa e agora esforça-se por exercer toda a pressão possível, com direito à assédio moral e ultimatos. No comunicado aos funcionários apresentando a proposta de licença remunerada com a metade do salário, a Vale oferece duas alternativas: ou aceita a proposta ou pede demissão.

A última manobra da empresa ocorreu na quinta-feira (12/02). Trinta minutos antes da assembléia que decidiria sobre o acordo a empresa retirou a proposta para o Sindicato Metabase Inconfidentes. Sua intenção? Cancelar a assembléia, retaliar o sindicato devido à denúncia no Ministério Público e jogar os trabalhadores contra o sindicato.

Mas o sindicato não se intimidou. A assembléia ocorreu e a situação foi apresentada aos trabalhadores. O sindicato seguiu normalmente a consulta da opinião da base acerca da proposta e defendeu vigorosamente a rejeição do acordo. Os trabalhadores mostraram-se indignados com a atitude da empresa e solidarizaram-se com o sindicato, apoiando os diretores e recusando fazer qualquer pressão pela retirada da denúncia no Ministério Público.
Neste momento, estão se realizando as diversas assembléias nas minas e, devido a enorme pressão da Vale, configurando abuso de poder econômico, e uma tênue esperança por parte dos trabalhadores de manter seu emprego, provavelmente aprovarão a proposta da empresa.

Sindicato de Congonhas solicita apoio nacional para evitar fechamento de minas e contra a retaliação da Vale, que já começou

Nas assembléias massivas que estão se realizando neste momento o sindicato está informando que a proposta da Vale de redução salarial prepara as condições para uma demissão massiva dentro de 3 meses e fechamento de minas no Estado de MG.

A Vale deve diminuir a produção de minério de ferro para cerca de 200 milhões de toneladas, frente às 300 milhões que ela estava produzindo. Isso significa que a Vale manterá a produção em Carajás, onde o minério é mais puro e não necessita beneficiamento, de cerca de 130 milhões de toneladas e produzirá o restante em Minas Gerais, que baixará pela metade sua produção, fechando muitas minas. A Vale cospe no prato que comeu. Há 65 anos a Vale retira minério do Estado e agora despejará seus trabalhadores na rua, como bagaço de laranja.

A possibilidade do fechamento de minas é presente pois já tem muitas minas paralisadas no Estado.

Isto tudo foi informado nas assembléias. Também se informou que a Vale deve fazer demissão massiva a partir de 31 de maio, quando acabam estes acordos. O sindicato avisou que, caso cheguem telegramas com demissões massivas, todos os demitidos devem vir para o sindicato pois organizaremos a greve e a ocupação da mina e iremos a Brasília, em caravana para exigir que Lula garanta os empregos e reestatize a empresa.

A Vale retirou a proposta para o sindicato de Congonhas e Ouro Preto. Isto tem um duplo significado: teme que sua proposta seja rejeitada pelo Ministério Público (coisa que é possível pois o acordo é totalmente ilegal (dia 13 de fevereiro haverá uma reunião entre as partes) e ao mesmo tempo iniciará uma retaliação ao sindicato por ter sido o único, junto com Itabira, que não se curvaram ao poder da empresa.

Informamos na assembléia que a Vale, neste momento, só está demitindo na nossa base, em retaliação à nossa posição contrária ao acordo de redução salarial.

Por isso, solicitamos a todo o movimento sindical combativo que nos ajude nesta luta desigual contra a maior empresa privada do Brasil. Nossa vitória contra ela, será uma vitória de todos os trabalhadores brasileiros.

Nossa disposição, caso a empresa faça retaliação contra o sindicato, é realizar um movimento nacional em defesa do sindicato e dos trabalhadores da base e iremos até Brasília, em caravana dos sindicalistas e demitidos, para expor a todo o país a destruição de um bem estratégico do Brasil, realizado pela iniciativa privada.

Ao nos filiarmos a Conlutas, adquirimos a convicção que não estamos sozinhos e que podemos vencer a intransigência patronal. Neste momento, precisamos da sua solidariedade política na guerra que está se iniciando.

Tuesday, 17 March 2009

PARA QUEM SERVE A VALE?!


Nós temos, a todo instante, nos posicionado no sentido de fazer críticas ao modelo perverso com que a Vale desenvolve a apropriação e a exploração dos recursos minerais no Estado do Pará e principalmente nas regiões sul e sudeste, por entendermos que ela gera riqueza para poucos e miséria, insegurança e desesperança, para a grande maioria da população regional. É o que pretendemos mostrar neste artigo, para aqueles que ainda tenham dúvidas.

Com o excelente desempenho operacional nos trimestres anteriores, a Vale registrou oito recordes anuais de produção em 2008: níquel (275,400 mil toneladas métricas), bauxita (11,7 milhões de toneladas métricas), alumina (5,0 milhões de toneladas métricas), cobre (311,600 mil toneladas métricas), carvão (4,1 milhões de toneladas métricas), cobalto (2,828 mil toneladas métricas), paládio(231,000 mil onças troy) e ouro (85,000 mil onças troy) (Vale – Relatório de Produção 2008).

Vale ressaltar que Parauapebas participou com 32% da extração nacional de ferro, que 84% do manganês foi da mina do azul, em Carajás, 100% da bauxita foi de Oriximiná e Paragominas, 100% da alumina e 83% do alumínio foram de Barcarena, 40% do cobre foi do Sossego e 100% do caulim foi de São Domingos do Capim.

Parauapebas, em 2008, por conta da extração mineral, ocupou o 8º(oitavo) lugar dentre todos os municipios brasileiros, em contribuição para a balança comercial brasileira por município, com 3,8 bilhões de dólares, 37,13% da exportação do Estado do Pará (Secretaria de Comércio Exterior).

Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás, em 2006, estiveram entre os 10 (dez) municípios mais ricos do Estado, ocupando o 3º, 4º e 9º lugar, com Produto Interno Bruto de R$ 2,9 bilhões, R$ 2,6 bilhões e R$ 700 milhões, respectivamente. Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá apresentaram 1º (R$ 50.488), 3º (R$31.320) e 5º (13.055) lugar, respectivamente, no que se refere os maiores em renda per capita do Estado (O Liberal, 17.12.2008).

Por outro lado, saindo do que seria riqueza para a pobreza, os municípios da Área de Influência Direta (AID) da Vale (Marabá, Eldorado, Curionópolis, Parauapebas, Canaã, Ourilândia e Tucumã), comparado com o Estado, apresentam os maiores índices de crescimento populacional, criminalidade, roubos, furtos, estupros e tráfico de entorpecentes (Diagonal Urbano, 2006).

O crescimento populacional nestes municípios do ano de 2000 para 2005 representou um percentual de 22,9%, com uma projeção para 2010 de 92,9%. Com um total de habitantes no ano de 2000 de 344.386, em 2005 de 423.361, e em 2010 de 817.268 habitantes (Diagonal Urbano, 2006).

Considerando taxa de ocorrência por 100.000 habitantes. Roubo: Marabá 639, no Estado é de 423 ocorrências. Furto: Marabá, 661, Parauapebas, 574 a 611, Canaã, 365 a 574, e no estado é de 423. Homicídios: Marabá (95), Parauapebas (de 70 a 95), Curionópolis (40 a 70), Canaã (29 a 43), Eldorado (12 a 29), no Estado do Pará é de 18,5. Estupros: Marabá (7 a 7) Parauapebas (6 a 7), Canaã (4 a 6), e no Pará é de 4,6. Tráfico de entorpecentes: Parauapebas (17 a 17), Canaã (12 a 17), Marabá (11 a 12), Curionópolis (9 a 11), no Estado é de 4,86 (Diagonal Urbano, 2006).

Portanto, deixando à parte aqueles(as) que ganham com roubos, furtos, homicídios, estupros, tráfico de drogas, prostituição, especulação imobiliária e outras atividades legais e ilegais, o que interessa para a maioria da população que não tem emprego, moradia, serviços de saúde, educação e segurança? Porque os governos são tão subservientes e aliados da Vale? Por ignorância, incapacidade, migalhas ou por serem mesmo desumanos?

Para os(as) lúcidos(as) não há outro caminho a trilhar senão o da luta sem trégua contra este saque feito pela Vale e esta desavergonhada subserviência dos poderes constituídos. Caso contrário não haverá futuro para a humanidade.

Até a vitória sempre!

Marabá, 15 de março de 2008.
Raimundo Gomes da Cruz Neto